Qual o custo invisível do improviso?

Cultura 12/02/2026
Ao longo desta semana, estamos falando sobre um tema que costuma passar despercebido nas empresas justamente por parecer inofensivo: o improviso. Em muitos contextos, improvisar é visto como sinal de agilidade, criatividade ou jogo de cintura. E, de fato, em momentos pontuais, ele pode ser um recurso útil. O problema começa quando o improviso deixa de ser exceção e passa a ser método. É aí que surge um custo silencioso, cumulativo e, muitas vezes, invisível.
Quando o improviso se torna recorrente, a empresa até continua funcionando, mas tende a operar em modo de sobrevivência e reatividade crônica. As decisões são tomadas sempre de última hora e com muito custo ou conflitos, os times gastam mais tempo apagando incêndio do que construindo e gerando impacto e a sensação constante é de estar sempre correndo atrás de algo que não se alcança. O impacto disso vai muito além do financeiro, embora ele também exista.

Perda de clareza estratégica

Um dos primeiros custos invisíveis é a perda de clareza estratégica. Quando tudo é resolvido “como dá”, fica difícil sustentar prioridades consistentes ao longo do tempo. Cada urgência parece mais importante que a anterior, e a estratégia vira um discurso bonito que não orienta as decisões do dia a dia. Com o tempo, isso gera desalinhamento entre liderança e time, e entre áreas que deveriam estar trabalhando juntas.

Desgates do time

Outro custo relevante é o desgaste das pessoas. Improviso constante exige energia extra, atenção permanente e adaptação contínua. Isso pode até parecer estimulante no início, mas rapidamente se transforma em cansaço mental, frustração e sensação de retrabalho. Pessoas boas começam a se sentir subutilizadas ou sobrecarregadas, e o engajamento cai sem que ninguém saiba exatamente por quê.

Problemas de qualidade

Há também um impacto direto na qualidade. Processos improvisados raramente são documentados, testados ou melhorados de forma consciente. O resultado é inconsistência: o que funciona hoje pode não funcionar amanhã, dependendo de quem está envolvido ou do humor do dia. Isso afeta entregas, experiência do cliente e a confiança nos próprios resultados da empresa.

Tomada de decisão

Outro ponto pouco falado é o custo na qualidade da tomada de decisão. Sem premissas e critérios definidos, decisões passam a depender excessivamente de indivíduos específicos, intuição é personalismos. Isso cria gargalos, centralização e risco. Quando essas pessoas não estão disponíveis, a empresa fica engessada e os impactos das decisões jamais voltam como fonte de aprendizado.

A cultura também sofre

Por fim, existe o custo cultural. O improviso recorrente ensina, mesmo sem intenção, que planejar não é tão importante, que viver corrigindo é aceitável e que o caos faz parte do jogo. Aos poucos, isso se consolida como cultura e tais princípios são difíceis de mudar.
Para ajudar você a refletir sobre o quanto o improviso pesa hoje na sua empresa, vale fazer um exercício simples. Responda “sim” ou “não” para as perguntas abaixo, sendo o mais honesto possível:
  1. Decisões importantes costumam ser tomadas sem critérios claros ou dados suficientes?
  2. Urgências frequentes atrapalham prioridades já definidas?
  3. As pessoas declaram a sensação de que estão sempre “apagando incêndio”?
  4. Processos mudam constantemente sem documentação ou aprendizado estruturado?
  5. Resultados dependem demais de pessoas específicas?
  6. Existe retrabalho recorrente nas entregas operacionais?
  7. O planejamento raramente é seguido até o fim?
  8. O time sente dificuldade em prever prazos e resultados?
  9. Há desgaste emocional visível em função da pressão constante?
  10. A estratégia raramente orienta decisões do dia a dia?
Se você respondeu “sim” para até 3 perguntas, o custo do improviso tende a ser baixo e pontual. Se respondeu sim para 4 e 6, indica um custo médio, que já merece atenção. A partir de 7 respostas positivas, o improviso provavelmente já está cobrando um preço alto mesmo que ainda não apareça claramente nos números.
Se esse tema fez sentido para você, vale aprofundar a reflexão. Na aula aberta disponível em nosso canal do Youtube falamos sobre como sair do improviso recorrente e construir mais clareza, consistência e direção, sem perder agilidade.

 

 

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